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31.JUL.2026

Marcas perdem relevância ao tratar redes sociais como vitrines

Marcas perdem relevância ao tratar redes sociais como vitrines

Trimestre após trimestre, milhares de marcas investem milhões para levar os consumidores até seus perfis e falham justamente quando o usuário chega até eles. Essa é a principal provocação de Carol Lima, sócia e diretora de Social Media da 8D Hubify, que defende a força da lógica social first na construção das estratégias digitais. 

A mídia paga continua sendo importante para gerar descoberta, mas não é capaz de sustentar sozinha a percepção de uma marca. O grande desafio é a experiência pós-clique. Dados apresentados pela executiva no CMO Summit 2026 mostram que 93% dos consumidores pulam ou bloqueiam anúncios sempre que possível e 74% afirmam sentir-se bombardeados pela publicidade digital, desenvolvendo irritação e rejeição às marcas.

“A mídia paga gera descoberta. Ela cria fluxo, convence as pessoas a entrarem. Mas não é a experiência. Ela é apenas a promessa da experiência”, afirma a executiva. Na prática, as campanhas podem até despertar a curiosidade do público alvo, mas são os canais sociais que confirmam ou destroem a expectativa criada pela comunicação.

 

A mudança de comportamento dos consumidores reforça essa transformação. 81% das pessoas confiam mais em opiniões reais do que em anúncios das próprias marcas, enquanto 61% depositam mais credibilidade em recomendações de criadores de conteúdo do que na publicidade tradicional. 

É por isso que as redes sociais deixaram de ser um canal complementar e passaram a concentrar praticamente toda a jornada de consumo. “O Social First nasce do comportamento, da linguagem e da comunidade. É escutar o que as pessoas falam sobre a marca, sobre o produto e sobre suas dores para construir estratégias dentro das redes sociais”, destaca Carol.

Uma máquina complexa

Essa mudança acontece em um momento em que a descoberta de produtos migra dos buscadores para plataformas como Instagram, TikTok e YouTube. 60% da descoberta de novos produtos já ocorre nas redes sociais, contra 34,5% atribuídos ao Google. O avanço de ferramentas de inteligência artificial, como Gemini e ChatGPT, amplia ainda mais a necessidade de adaptação das marcas a novos ambientes de busca e recomendação.

O problema é que empresas ainda tratam as redes sociais como vitrines promocionais ou murais corporativos, ignorando que o usuário disputa atenção com memes, vídeos e criadores de conteúdo. Perfis excessivamente institucionais ou focados apenas em ofertas tendem a perder relevância em um ambiente dominado por entretenimento e interação. “Não estamos competindo com concorrentes. Estamos competindo com dopamina”, avalia a executiva. 

 

Outro erro recorrente é a busca obsessiva pela perfeição. Em uma era marcada pela produção massiva de conteúdo, a autenticidade e a velocidade se tornaram mais valiosas do que o acabamento impecável. “A perfeição afasta. A realidade aproxima. As pessoas se conectam com pessoas. Precisamos ser mais Mozart e menos Monet. Social é timing, não preciosismo”, acrescenta. 

Carol defende que criatividade e performance não devem ser tratadas como objetivos opostos, mas como elementos complementares de uma mesma estratégia.  Em um ambiente saturado por anúncios e conteúdo automatizado, a vantagem competitiva pertence às marcas capazes de construir significado. 

“O mercado não precisa de mais ruído. Precisa de mais sentido. Quando todo mundo publica mais, destaca-se quem significa mais. Rede social nunca foi sobre alcance. Sempre foi sobre relacionamento”, finaliza.

Via Mundo do Marketing

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