30.OUT.2026
Como o Brasil lidera o uso de inteligência artificial nas compras online
O consumidor brasileiro está entre os que mais recorrem à inteligência artificial (IA) para decidir o que comprar. É o que mostram três levantamentos divulgados nas últimas semanas, com institutos e metodologias diferentes: em comparações que vão do uso de IA generativa para pesquisar produtos até a disposição de deixar um agente automatizado fechar a compra sozinho, o Brasil aparece repetidamente entre os dois ou três primeiros colocados do mundo, à frente de mercados como Estados Unidos e Reino Unido.
Os números que colocam o Brasil à frente
Três estudos recentes, com amostras e metodologias distintas, chegam a conclusões parecidas sobre o comportamento do consumidor brasileiro:
• O Brasil é o 2º país do mundo em uso de IA para se inspirar sobre o que comprar (4,94% das interações registradas) e o 3º em uso de IA para pesquisar produtos (4,08%), atrás apenas da China na primeira métrica, segundo o relatório Future Shopper 2026, da VML, em sua 10ª edição.
• 72% dos brasileiros já testaram ou topariam deixar um agente de IA comprar por eles em 2026, alta em relação aos 39% registrados em 2025, o que coloca o país em 2º lugar entre sete mercados pesquisados, atrás apenas da China (86%), de acordo com o Agentic Commerce Report 2026, da Global Payments.
• 78% dos brasileiros acreditam que a IA vai facilitar as compras de fim de ano em 2026, o maior índice entre os oito países pesquisados e 35 pontos percentuais acima da média global (43%), segundo levantamento da Sinch.
Confiança em alta, mas desconfiança não desapareceu
A confiança do brasileiro em agentes de IA para compras também cresceu: a nota média subiu de 3,18 para 3,80, em uma escala de 1 a 5, entre 2025 e 2026, segundo a Global Payments. O otimismo, porém, convive com ressalvas pontuais: no mesmo levantamento, 50% dos brasileiros apontam a segurança dos dados de pagamento como principal preocupação ao usar um agente de IA para comprar, seguida por privacidade (45%) e pelo risco de a IA tomar decisões inadequadas (41%).
Um padrão parecido aparece no relatório da VML: globalmente, 58% dos consumidores dizem verificar uma recomendação de IA em outra fonte antes de seguir por ela, o que o estudo chama de “paradoxo da confiança”. Os dados públicos disponíveis ainda não mostram se esse comportamento é mais ou menos forte entre os brasileiros especificamente, já que o recorte do país aparece diluído dentro de amostras internacionais.
O que os estudos internacionais ainda não respondem sobre o Brasil
Os três levantamentos citados têm um ponto em comum: nenhum foi desenhado para olhar o Brasil isoladamente. O relatório da VML cobre 17 países ao mesmo tempo; o da Global Payments, sete; o da Sinch, oito, em todos, o Brasil é um recorte dentro de uma amostra internacional, sem detalhamento por categoria de produto, geração ou região do país.
É esse espaço que uma pesquisa em andamento, conduzida pela agência de marketing digital Web Estratégica, tenta preencher. O estudo, batizado “Como o Brasileiro Compra Online na Era da IA”, está com o questionário aberto para participação e pretende cruzar a frequência de uso de IA com a categoria de compra, a geração do consumidor e a região do país, além de medir diretamente se o brasileiro confia mais em uma recomendação de IA do que em um anúncio pago tradicional, uma pergunta que os estudos internacionais, por ora, não respondem de forma isolada para o país.
O que isso significa para marketing e varejo
Para quem trabalha com aquisição e mídia digital, os números acima já justificam rever onde a decisão de compra do consumidor está sendo formada. Se uma fatia relevante da jornada passa por uma ferramenta de IA generativa e não apenas pelo buscador tradicional, a forma como uma marca aparece dentro dessas respostas passa a disputar espaço com o que antes era ocupado só por anúncios e posições de busca.
A desconfiança residual também é um ponto de atenção: segurança de dados e privacidade seguem no topo das preocupações do consumidor brasileiro, mesmo entre os mais otimistas com a tecnologia. Isso sugere que comunicar com clareza como a IA é usada em uma jornada de compra pode pesar na decisão tanto quanto a conveniência que ela promete.
Um retrato ainda em construção
O consumidor brasileiro já aparece, em praticamente todos os levantamentos recentes, entre os que mais usam IA para decidir o que comprar, à frente de mercados tradicionalmente mais maduros em tecnologia, como Estados Unidos e Reino Unido.
Mas esse retrato segue incompleto: ele vem de pesquisas internacionais que tratam o país como um recorte dentro de amostras maiores, sem detalhar o que muda por categoria de produto, geração ou região.
Preencher essas lacunas com dados nacionais aprofundados é o próximo passo natural para entender, de fato, como a IA está mudando a forma como o brasileiro compra.
Via Mundo do Marketing